O Espaço é parte do Programa Sensorial do Instituto Adimax, que tem transformado vidas de pessoas neurodivergentes
Felipe Rocha tem 13 anos e fica muito agitado em muitas situações que passam despercebidas para a maioria das pessoas, como a exposição a ruídos, cheiros e até mesmo texturas. O adolescente, diagnosticado com transtorno do espectro autista grau 3 de suporte, é atendido na Associação Amigos dos Autistas de Sorocaba (AMAS), que desde 1994 dá suporte com terapias a 70 famílias de crianças e adolescentes que convivem com essa neurodivergência.
Agora, mais uma ferramenta fará parte do atendimento: uma sala sensorial. Espaço planejado em cada detalhe para trazer segurança e ajudar na regulação emocional de quem convive com o transtorno do espectro autista (TEA), acaba de ser inaugurado no local. “Eu acho essencial para o tratamento da criança com autismo, porque ela ajuda a reequilibrar quando a criança está com o sensorial sobrecarregado”, relata Adriana Batista Rocha, mãe de Felipe.
A sala sensorial é um ambiente controlado e adaptado para estimular ou equilibrar os sentidos de forma gradual, auxiliando na regulação emocional e ajudando no desenvolvimento de pessoas com neurodivergências, entre elas o TEA. A terapeuta ocupacional da AMAS, Ângela Gonçalves Arruda, explica como as salas sensoriais colaboram nesse processo.
“No autismo, o sensorial é desregulado, ou para mais, ou para menos; algumas crianças sentem demais, outras sentem de menos, então o trabalho terapêutico desperta essa organização. A sala sensorial traz esse conjunto de elementos que podem oferecer conforto, como almofadas, colchonetes ou que desafiem a criança a experimentar novas sensações por meio da exposição gradativa a texturas, temperaturas, densidades, para que fique menos sensível a estímulos. Dessa forma, eles vão ficando mais seguros, mais tranquilos, e conseguem se relacionar melhor”.
A sala sensorial, que vai impactar diretamente a vida dos atendidos pela AMAS, tem feito o mesmo por muitas crianças e adolescentes neurodivergentes de diversas instituições não governamentais, privadas e escolas, por meio do Programa Sensorial, do Instituto Adimax, que já inaugurou 11 espaços, sendo 4
deles na região metropolitana de Sorocaba, nos municípios de São Roque, Piedade e Araçoiaba da Serra. “O programa tem esse compromisso de fazer a diferença na vida de quem convive com a neurodivergência, oferecendo mais uma ferramenta para que consigam estar mais confortáveis no mundo, diz Vinícius Gianini, responsável pelo programa.
“Essa sala era muito almejada por nós, e agora nosso trabalho ganhará outra dimensão”, conclui Ângela.

